O presidente da República demonstrou finalmente o que lhe vai na alma: uma total falta de noção do país em que vive. É isso. Pura e simplesmente foi apanhado de surpresa, sem assessores por perto, discursos ensaiados ou perguntas partilhadas, e do alto da sua humildade explicou aos portugueses que sabe o que é viver com pouco. Que até ele, coitadinho, não consegue pagar as despesas. As frases da polémica são assim uns desabafos sobre reformas:
"Ainda não sei quanto irei receber. Tudo somado, quase de certeza que não vai chegar para pagar as minhas despesas, pois eu também não recebo vencimento como presidente da República. Mas não faço questão quanto a isso."
Para logo a seguir explicar:
"Felizmente, durante os meus 48 anos de casado, eu e a minha mulher fomos sempre muito poupados. Todos os meses, fizemos questão de colocar alguma coisa de lado. Portanto, posso gastar, agora, parte das minhas poupanças.”
Agora as explicações matemáticas:
Ele optou por receber as pensões (que são mais elevadas) do que o ordenado de PR o que dá qualquer coisa como 10 mil euros por mês. A juntar aos 2900 euros que recebe para gastos de representação. Por acaso estou cheia de pena do Cavaco. Mas assim mesmo triste. Tão triste que dá vontade de o meter num barco e deixá-lo numa ilha deserta.
É preciso ter lata ou muita falta de tacto para ter a coragem de dizer isto em 2012, neste país. É uma vergonha. E o maior tiro no pé que um chefe de Estado podia ter dado.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Gravatas valem 2º
À primeira vista a medida parecia-me estúpida e populista. Achei logo, do cimo das minhas sandálias de 7 cm, que o CDS-PP estava armado aos cucos a dar uma de "Ah! Estamos perto do povo e tal". Mesmo assim resolvi pesquisar antes de proferir mais impropérios. Pois o que li tem muita lógica. A Ministra da Agricultura, Assunção Cristas, resolveu libertar os funcionários da gravata para poupar energia. Parece que há estudos a mostrar que não usar gravata permite descer em 2º C a temperatura do ar condicionado. Os japoneses já testaram isto em 2005 com a campanha “Cool Biz” e no fim de contas pouparam energia. Seria o equivalente às senhoras serem obrigadas a andar todo o dia com um lenço (fininho, é certo) ao pescoço. Não há necessidade.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A campanha e as suas idiossincrasias
Muito boa gente não faz a mais pequena ideia em que vai votar. Sabe melhor em quem não vai votar. Estamos sem grandes opções e confesso que o voto branco nunca me pareceu tão apelativo. Deixo aqui um artigo de opinião da jornalista Ana Sá Lopes publicado no jornal i que traz um pouco mais de luz sobre este assunto. Ou então ajuda a perceber que vai continuar breu como a noite.
"Não se preocupem, é a realidade que se enganapor Ana Sá Lopes, Publicado em 25 de Maio de 2011
O contraste entre arquétipos, com o Sócrates furioso, solitário e gastador, é provavelmente a melhor promessa eleitoral do PSD
Reduzindo a coisa à expressão mais simples, ficámos a saber ontem que os avós de Pedro Passos Coelho eram agricultores (declarações durante uma acção de campanha) e que o eventual futuro primeiro-ministro não gasta dinheiro em vestuário, embora a sua mulher já não faça o que a sua mãe fazia - costurar em casa toda a roupa, incluindo lençóis (entrevista a Judite Sousa, na TVI). Já tínhamos a preciosidade do vídeo da Páscoa, de mão dada com a mulher, e a casa da Manta Rota do Verão passado (associado ao grito telúrico de Mendes Bota na festa estival do PSD, incensando o líder por viver em Massamá, um subúrbio de Lisboa).
É muito interessante toda esta radiografia que mete avós, subúrbios, mãos dadas de legítimas esposas, casas de praia e agora costura. Pedro Passos Coelho ensaiará até dia 5, e provavelmente com sucesso, a comédia do homem normal, que, reconheçamos, cumpre exemplarmente. O contraste entre arquétipos - o Sócrates furioso, solitário e gastador (em fatos e em férias em hotéis de cinco estrelas, fora o resto) - é provavelmente a melhor promessa eleitoral do PSD.
Estamos nisto. Sabíamos que a campanha eleitoral nunca teria interesse nenhum, devido ao facto de o programa de governo (imposto pela troika) ter sido aprovado antes das eleições pela futura maioria parlamentar - PS, PSD e CDS. Quanto a quem ocupa a cadeira de "representante da República" em versão nacional, as sondagens de ontem voltaram a baralhar, repetindo as ameaças de empate técnico entre socialistas e sociais-democratas.
Mas o "empate técnico" que as sondagens ainda revelam vai contra toda a ordem natural das coisas - digamos que muito bom consegue ser Sócrates para continuar a segurar, nas sondagens, resultados assim.
O que é verdadeiramente espantoso nos números que têm sido avançados por todas as sondagens de há muito tempo para cá é a total irrelevância da esquerda à esquerda do PS. A confirmarem-se os números, o Bloco de Esquerda está em desagregação, enquanto o PCP mantém o seu reduto militante, mas não mais do que isso. Aparentemente, os antigos eleitores do PS provenientes do centro já se passaram para o PSD, estando os socialistas a serem "compensados" com a fuga de antigos eleitores bloquistas em nome de um qualquer voto útil. Mas não será só isso: a campanha presidencial de Manuel Alegre foi um dos maiores erros do Bloco de Esquerda - embora inicialmente tudo estivesse preparado para "dar certo". Manuel Alegre chegou a ameaçar mais do que três vezes abandonar o PS e constituir um partido político à parte e, evidentemente, esse partido de esquerda alegre, aliado ao Bloco de Esquerda, poderia transformar-se num sucesso eleitoral e numa eventual alternativa à esquerda.
Nada resultou: Alegre manteve-se no PS e ao lado de Sócrates - vai participar no fim de festa, num comício um dia destes - e o Bloco perdeu o rumo. Se nem a crise, o desemprego, os cortes sociais "salvam" a esquerda, o que o fará?"
para ler aqui
"Não se preocupem, é a realidade que se enganapor Ana Sá Lopes, Publicado em 25 de Maio de 2011
O contraste entre arquétipos, com o Sócrates furioso, solitário e gastador, é provavelmente a melhor promessa eleitoral do PSD
Reduzindo a coisa à expressão mais simples, ficámos a saber ontem que os avós de Pedro Passos Coelho eram agricultores (declarações durante uma acção de campanha) e que o eventual futuro primeiro-ministro não gasta dinheiro em vestuário, embora a sua mulher já não faça o que a sua mãe fazia - costurar em casa toda a roupa, incluindo lençóis (entrevista a Judite Sousa, na TVI). Já tínhamos a preciosidade do vídeo da Páscoa, de mão dada com a mulher, e a casa da Manta Rota do Verão passado (associado ao grito telúrico de Mendes Bota na festa estival do PSD, incensando o líder por viver em Massamá, um subúrbio de Lisboa).
É muito interessante toda esta radiografia que mete avós, subúrbios, mãos dadas de legítimas esposas, casas de praia e agora costura. Pedro Passos Coelho ensaiará até dia 5, e provavelmente com sucesso, a comédia do homem normal, que, reconheçamos, cumpre exemplarmente. O contraste entre arquétipos - o Sócrates furioso, solitário e gastador (em fatos e em férias em hotéis de cinco estrelas, fora o resto) - é provavelmente a melhor promessa eleitoral do PSD.
Estamos nisto. Sabíamos que a campanha eleitoral nunca teria interesse nenhum, devido ao facto de o programa de governo (imposto pela troika) ter sido aprovado antes das eleições pela futura maioria parlamentar - PS, PSD e CDS. Quanto a quem ocupa a cadeira de "representante da República" em versão nacional, as sondagens de ontem voltaram a baralhar, repetindo as ameaças de empate técnico entre socialistas e sociais-democratas.
Mas o "empate técnico" que as sondagens ainda revelam vai contra toda a ordem natural das coisas - digamos que muito bom consegue ser Sócrates para continuar a segurar, nas sondagens, resultados assim.
O que é verdadeiramente espantoso nos números que têm sido avançados por todas as sondagens de há muito tempo para cá é a total irrelevância da esquerda à esquerda do PS. A confirmarem-se os números, o Bloco de Esquerda está em desagregação, enquanto o PCP mantém o seu reduto militante, mas não mais do que isso. Aparentemente, os antigos eleitores do PS provenientes do centro já se passaram para o PSD, estando os socialistas a serem "compensados" com a fuga de antigos eleitores bloquistas em nome de um qualquer voto útil. Mas não será só isso: a campanha presidencial de Manuel Alegre foi um dos maiores erros do Bloco de Esquerda - embora inicialmente tudo estivesse preparado para "dar certo". Manuel Alegre chegou a ameaçar mais do que três vezes abandonar o PS e constituir um partido político à parte e, evidentemente, esse partido de esquerda alegre, aliado ao Bloco de Esquerda, poderia transformar-se num sucesso eleitoral e numa eventual alternativa à esquerda.
Nada resultou: Alegre manteve-se no PS e ao lado de Sócrates - vai participar no fim de festa, num comício um dia destes - e o Bloco perdeu o rumo. Se nem a crise, o desemprego, os cortes sociais "salvam" a esquerda, o que o fará?"
para ler aqui
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Indignação política nº2
Quem se habitua a ser uma estrela dos media nunca quer deixar de o ser. Querem sempre ser sempre tidos em conta e ouvidos. Pois bem, o sr. Otelo Saraiva de Carvalho está a passar por uma fase dessas. Não quer cair no esquecimento numa altura em que as comemorações do 25 de Abril nem vão passar pelo parlamento. Faz lembrar aquelas actrizes de Hollywood que para chamar a atenção embebedam-se, andam com pouca roupa e inventam todo o tipo de escândalos. No caso dele é vê-lo a pronunciar frases polémicas do estilo bombástico. Aqui ficam dois exemplos catitas espalhados na imprensa. Não vale a pena acrescentar mais nada.
“Não teria feito o 25 de Abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos actualmente."
"Precisávamos de um homem com a inteligência do Salazar”
“Não teria feito o 25 de Abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos actualmente."
"Precisávamos de um homem com a inteligência do Salazar”
As pontes

A Troika veio arrumar-nos a casa e puxar-nos as orelhas. Vem nos dizer que somos uns mal comportados, que vivemos acima das nossas possibilidades, que damos privilégios a quem não merece e que compramos casas quando devíamos alugá-las. Os portugueses prestaram atenção às recomendações, só que depois... meteu-se a Páscoa e o 25 de Abril. A ideia é: "a gente depois continua a conversa, tá bem?".
Já estou a imaginar o ambiente na quinta-feira à tarde.
"O que aconteceu aos trabalhadores do ministério?", pergunta a troika.
"Ah, já não está cá ninguém", responde um funcionário visivelmente irritado.
"Porquê?", questionam os srs.
"Então, é véspera de um feriado, ainda por cima mete-se o fim-de-semana e segunda-feira é o 25 de Abril. De modo que só é possível fazer alguma coisa na próxima semana."
Óptima justificação não fosse esta brincadeira dar uma péssima imagem do país e custar qualquer coisa como 20 milhões de euros ao Estado. Tolerâncias de ponto nesta altura não são a ideia mais brilhante. Podemos continuar a fazê-las mas tentar dar uma imagem de austeridade e seriedade numa altura destas não era mal pensado. A sorte é não estar sol. Se estivesse, os senhores iam ligar as televisões e ver meio país na praia e perceber que o nosso verdadeiro talento é para o turismo.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
A troika da política
Numa semana em que a política enche-nos os ouvidos e ficamos a acreditar que o fim pode estar perto (ou então o D. Sebastião aparece no barco das 17h15 e vai ali ao Terreiro do Paço resolver as cenas com a Troika), a personalidade da semana foi o Sr. Fernando Nobre. Um homem com provas dadas e com uma quota de boas acções acima da média. Plantar árvores, ter filhos e escrever um livro são peanuts para ele. Pois bem, o sr. tão bem posto mete-se na trapalhada da política e o resultado não é bom. Os políticos avaliam-se pelas acções, mas antes de as poderem tomar, avaliam-se pelas palavras. De manipuladores todos têm um pouco. Mas contradizerem-se em tão pouco tempo é muito mau. O minímo que se pede é que sejam coerentes para que as pessoas possam acreditar no que dizem. No caso de Nobre foi apanhado em flagrante. Quer ser presidente da Assembleia da República e é candidato pelo PSD depois do "não, categoricamente não" à hipótese de integrar as listas dos partidos para as legislativas. É com estas atitudes que as pessoas se desiludem da política. É triste. Aqui ficam os vídeos da semana.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Os rapazolas e as suas cadeiras
E pronto. Lá caímos aos trambolhões. Sócrates parece um autista e persiste em concorrer. Armou-se em vítima e depois do compromisso com Passos Coelho, atrás das costas de toda a gente, prometeu mundos e fundos à Sra. Merkel. Regressou e percebeu que sem maioria absoluta, não se pode armar em deus todo o poderoso. Lixou-se e lixou-nos. Medidas ainda mais duras é provavelmente o nosso futuro. O que é mais triste é que vai começar mais uma corrida às cadeiras. Promessas e mais promessas. Troca de acusações, de insultos. Como dizia ontem o António Barreto isto "parece um jogo de rapazolas, pessoas muito pouco interessadas no que estão a fazer, muito interessadas na pura disputa, competição, em ganhar. São desejos mesquinhos, não é uma ambição grande pelo país. É uma ambição puramente partidária." Vale a pena ouvir a opinião do sociólogo na Sic Notícias AQUI
P.S. - Só espero que quem andou nas ruas a manifestar-se não perca a grande oportunidade de fazer a diferença: votar, votar, votar. Como escrevia o jornalista Bruno Faria Lopes no i "Qual é então a melhor arma para pressionar mudanças? É o voto. Jovens que não votam – e bem mais de 50% não vota – bem podem pedir na rua, mas como não são clientela política contam menos para o poder."
P.S. - Só espero que quem andou nas ruas a manifestar-se não perca a grande oportunidade de fazer a diferença: votar, votar, votar. Como escrevia o jornalista Bruno Faria Lopes no i "Qual é então a melhor arma para pressionar mudanças? É o voto. Jovens que não votam – e bem mais de 50% não vota – bem podem pedir na rua, mas como não são clientela política contam menos para o poder."
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