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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Cérebro por uma palhinha
Acordar cedo e trabalhar várias horas seguidas normalmente resulta numa pouca vontade de manter a atenção, já aqui o disse. Depois de fazer uma reportagem e estar atenta a tudo o que se diz e faz, preciso de parar para respirar. De pedir um intervalo. Mas nem sempre dá. Aguenta-se a fome e a vontade de ir à casa de banho. Inicia-se uma conversa e a adrenalina do trabalho faz-nos esquecer tudo. Mesmo assim, não deixo de ter momentos em que sinto que me estão a sugar o cérebro com uma palhinha. Isso aconteceu-me hoje. Fiquei a olhar para a pessoa e esqueci, por segundos, o que dizia. Comecei então a imaginar que aquele incómodo na cabeça era o sr. a sugar-me os neurónios (que para mim são cor-de-rosa) com uma palhinha às riscas. Fazia-o devagarinho enquanto dizia coisas sem muito interesse.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Cérebro telecomandado
Tenho um problema: dificuldade em controlar o meu cérebro. Aliás, gostava muito de ter um comando para o controlar. Assim podia programá-lo e desligar determinadas partes e activar outras que dão mais jeito. Passo a explicar a utilidade deste mecanismo que só seria controlado por mim. Por exemplo, quando estou cansada e não consigo dormir, bastava programar para desligar o sistema dali a meia hora. Pronto, assunto arrumado. Outro exemplo, preocupo-me demasiado com coisas que não são minhas. Preocupo-me até com o trabalho dos outros. Se vai ficar bem, se não falta nada. Não é com todos. Só com alguns que vejo aproximarem-se vertiginosamente do erro. Quero falar e falo. Opino. Dou o meu parecer. Sem ninguém me perguntar nada. Dou uma de abelhuda. Ponho-me a fazer o papel do chefe. A dizer qual é o melhor caminho. Tudo porque tenho um problema crónico: visto a camisola e não há nada a fazer. Em nome do grupo, lá vou eu. E chateia-me ver erros, falhanços que eram facilmente evitáveis. Ganho alguma coisa com isso? Ralações, stresses e a noção de que não é a minha função. O telecomando permitia-me pôr mute, cada vez que ia falar. Assunto resolvido.
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