segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Escrever como quem cozinha

Escrever parece fácil. Aprende-se o básico. Há um sujeito, um verbo, complementos, preposições e vai-se por aí a fora. Qualquer pessoa o consegue fazer. Temos de ter ideias, é certo. Mas mais uma vez qualquer ser pensante as tem.
Temos de saber organizá-las de forma correcta. Com princípio, meio e fim. E já está. Mas escrever é como a culinária. Para se conseguir criar novos sabores, nunca antes provados, é preciso uma dose de génio, de brilhantismo. Alcançar tal proeza não é fácil. Tal como a culinária ou a ginástica, é preciso treino. Muito treino para se atingir o que se pretende. Ainda assim é difícil.
Pegamos num livro e de repente percebe-se que a mestria de uns é a impossibilidade de outros. Pegar em palavras e organizá-las de forma original, transcendente, é uma tarefa reservada a poucos. Não almejo atingir tal categoria, gosto de a apreciar, de ser surpreendida e de pegar num livro e pensar: "Bolas! És mesmo bom ou boa". Aconteceu-me agora mesmo ao pegar no "Grande Gatsby". Já aconteceu com tantos outros. É quase como pegar em ovos, sal e pimenta e criar uma coisa que nos eleva. A literatura é isso. Apreciar cada palavra, cada frase, cada parágrafo. Sentir uma explosão de emoções a elevar-nos o palato. No fim, descobrimos que naquela história ou prato tem algo de novo, de diferente, de invulgar. Que a vida esteja cheia de experiências destas.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Cisne Negro

Gosto de detalhes. Detalhes ricos em conteúdo que são capazes de elevar um filme a fenónemo de culto. As coisas simples dão mais intensidade e realismo. Fazem-nos acreditar que aquela personagem existe, que nos podemos cruzar com ela no metro, dizer-lhe "Olá" e seguir em frente. O "Cisne Negro" é um filme triste e bonito. Rico visualmente, intenso, carregado de sexualidade. O sexo talvez esteja em excesso, dizem as bailarinas e bailarnos, mas para quem é um simples espectador ajuda a perceber a necessidade de libertação de Nina (Natalie Portman). O filme mostra-nos a obsessiva busca da perfeição e as suas consequências. Nina consegue ser perfeita, magnífica, mas tudo tem um preço.
"Cisne Negro" está nomeado para cinco Óscares, um deles o de melhor actriz, espero que Portman leve a estatueta para casa. Ela merece.

Band Of Horses - No One's Gonna Love You [OFFICIAL VIDEO]

Tratamento auditivo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Viva a publicidade. Vader vs VW



A marcha imperial é uma das melhores músicas de sempre. Este anúncio é pensado para fãs de Star Wars e não só. Terapia de final do dia.
Ah! Já me esquecia. Ser mau às vezes parece muito cool, E o Darth Vader, dentro do estilo vilão muito bera, é brilhante a ser cool.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Hábito ou vício

Cai em tentação. Resisti durante semanas a fio. Vi-me tentada várias vezes, até que me apanharam na curva e vacilei. Os nervos apanharam-me pela direita, o stress pela esquerda e as minhas unhas olharam para mim com aquela cara: "se me roeres, tudo vai ficar melhor. Acredita. É disto que precisas." Esqueci os vernizes lindos que tenho lá em casa. Pus de lado as promessas e juras de que não o faria mais. Rói as unhas. Pronto. Há que dizê-lo com frontalidade. Não resisti e fui tudo a eito. De seguidinha. Dez à minha disposição. Que festim. Senti-me realizada. Aquilo acalmou-me durante um nanossegundo e voltámos à estaca zero.
Bem-feita para mim. A ver se largo o vício. É uma porcaria. Mas não são assim todos os vícios? Só abro uma excepção: chocolate. Quem é que é capaz de apresentar um defeito suficientemente forte para se deixar este manjar dos deuses? Pois que não existe.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os seres humanos em geral e em particular

Ninguém gosta de ser enganado. Contar com uma coisa e não a ter, é chato. Digamos a título de exemplo que uma pessoa precisa de outra pessoa para o bom curso do seu trabalho. A pessoa Y compromete-se. A pessoa X trata de todos os arranjos essenciais para que tudo corra bem e pimba. Pessoa X à última da hora diz: "Ah! Afinal não posso. Não leve a mal. Não é mesmo possível." E pimba. Desliga com telefone com leviandade, sem hesitar e nós ficamos destroçados, com um pepino nas mãos. Melhor. Quando a pessoa Z compromete-se e pede: "ligue mais tarde". Pessoa X liga e nada. Não atende, nem responde a SMS. Mais valia ter dito: "não"! Levar ao engano, fazendo de conta que está tudo ok, para depois escolher a saída mais fácil e simplesmente não atender o telefone, é cobardia.
O que fazer? Plano B. Plano C. Plano H. Tudo para remediar a situação. A pessoa X e Z responsáveis pelo imbróglio, já nem se lembram do nosso nome, dormem descansadas e nós com o coração aos pulos. Pode parecer uma história amorosa. Juro que não é. Ter de depender de terceiros para o nosso trabalho é uma tarefa muito ingrata.

Sem sair da cadeira

Aproximamo-nos cada vez mais dos senhores gordinhos do filme "Up!". Aqueles que se deslocavam em pequenas naves em forma de cadeirinha. Não precisamos de sair da cadeira para falar com os amigos, para saber as notícias, para visitar as ruas das nossas cidades e agora já nem precisamos de sair para visitar museus. Visitem o site http://googleartproject.com . Dá para entrar no MOMA em Nova Iorque, no Prado em Madrid e fazer zoom nos quadros. Ver tudo com detalhe, as pinceladas, as sobreposições. Isto bom como forma de conhecimento extra e não de substituição.