sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Entrada de blogue ao estilo facebook e twitter
K. padece de um tique nervoso no maxilar. Uma pequena veiazinha que dá pulinhos irritantes. Já tive isso na pálpebra agora é no maxilar por baixo da orelha. Sinal de que preciso de férias?
A visitar
Há dias chatos, macilentos, que custam a passar. Desespera-se em frente ao computador, à espera de uma lufada de ar fresco. Os olhos não descolam do relógio e faz-se F5 nas páginas de trabalho a ver se muda alguma coisa. Para esses momentos existe a internet. Recomendo uma navegação nesta bela pérola que me enviaram. Humor, orginalidade e algumas gargalhadas. A clicar em http://salaoneurotico.tumblr.com. Aqui fica um exemplo:

Bully Cow

Bully Cow
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Bang or not to bang?
A minha relação com as franjas (bangs em inglês, assim justifica-se o título catita), começou muito cedo e sempre foi problemática. Acredito que as franjas sejam amigas dos pais. Se não veja-se. Uma criança pequena com cabelo comprido é uma trabalheira. Miúdos com cabelos sujos, a bater nos olhos, despenteados. Tem de existir sempre um gancho por perto ou então o cabelo fica oleoso graças às mãozinhas abençoadas das catraias que mexem em tudo. Podem até surgir hábitos nojentos como chupar o cabelo. Adiante.
Para mim a franja significava repressão parental. Aquilo era a decisão da minha mãe. Eu nada podia fazer. A minha avozinha também adorava cortar-me o cabelo curtinho para "ficar forte". Quando finalmente atingi a bela idade de 10 anos, dei o grito do Ipiranga e tive autorização para deixar crescer a franja. Que liberdade. Finalmente achava que parecia uma verdadeira menina. Mas com essa moda surgiu outra relação complexa. Entrava na minha vida uma coisa chamada bandelete.
Recordem-se que a franja passa por uma fase de crescimento estranha. Nem é, nem deixa de ser. Nem dá para andar solta e mal a conseguimos prender. Nesses momentos, aparece outro instrumento de repressão: a bandelete. O que eu sofri com aquelas coisas que me faziam parecer sempre igual em todas as fotos... A emancipação surgiu anos depois e deu resultados tão bonitos como ter cabelo à rapaz. Agora é ver-me com o cabelo comprido, feliz e solta.
Eis se não quando aparece a moda das franjas. (A história está a ficar demasiado grande, mas é para dar mais drama e justificar a mim mesma esta mudança de vida.) Tremi de repulsa. Praguejei. Clamei aos céus por justiça. Resisti durante anos. Até que ganhei coragem e enfrentei o meu ódio de criança. Aquelas pontas irritantes que me batiam nos olhos e que me impediam de fazer aquele movimento incrível de puxar o cabelo para trás. Rendi-me à mudança, abracei o meu "inimigo" e juntei-me a ele. Mas atenção, a franja não é igual à antiga. Isso não suportaria.
Para mim a franja significava repressão parental. Aquilo era a decisão da minha mãe. Eu nada podia fazer. A minha avozinha também adorava cortar-me o cabelo curtinho para "ficar forte". Quando finalmente atingi a bela idade de 10 anos, dei o grito do Ipiranga e tive autorização para deixar crescer a franja. Que liberdade. Finalmente achava que parecia uma verdadeira menina. Mas com essa moda surgiu outra relação complexa. Entrava na minha vida uma coisa chamada bandelete.
Recordem-se que a franja passa por uma fase de crescimento estranha. Nem é, nem deixa de ser. Nem dá para andar solta e mal a conseguimos prender. Nesses momentos, aparece outro instrumento de repressão: a bandelete. O que eu sofri com aquelas coisas que me faziam parecer sempre igual em todas as fotos... A emancipação surgiu anos depois e deu resultados tão bonitos como ter cabelo à rapaz. Agora é ver-me com o cabelo comprido, feliz e solta.
Eis se não quando aparece a moda das franjas. (A história está a ficar demasiado grande, mas é para dar mais drama e justificar a mim mesma esta mudança de vida.) Tremi de repulsa. Praguejei. Clamei aos céus por justiça. Resisti durante anos. Até que ganhei coragem e enfrentei o meu ódio de criança. Aquelas pontas irritantes que me batiam nos olhos e que me impediam de fazer aquele movimento incrível de puxar o cabelo para trás. Rendi-me à mudança, abracei o meu "inimigo" e juntei-me a ele. Mas atenção, a franja não é igual à antiga. Isso não suportaria.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
As belas das eleições
Não vou tecer comentários sobre quem era o melhor candidato porque na minha opinião nenhum cumpria os mínimos olímpicos. Votei porque acho que é o mínimo que podemos fazer nesta sociedade e porque acredito na democracia. Nem vou falar na abstenção histórica. Retenho duas bonitas lembranças do dia de ontem: os candidatos independentes estão a ganhar terreno, um claro sinal para os boys dos partidos e de que a sociedade civil está a mexer-se; e outra recordação a reter foi ver o arrumador de carros que "trabalha" (em regime de part-time) perto de minha casa a votar. Pode ser agarrado ao cavalo, dizer mal da sociedade, viver de arrumar carros ou de vender "extras", mas vota. Sim, senhor. Gostava de saber era em quem é que ele votou.
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Simplesmente Sophia

Para atravessar contigo o deserto do mundo
"Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento"
Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
O estranho fenómeno dos ajuntamentos
Não vou fazer um tratado psicológico, nem aventurar-me com explicações filosóficas. Vou apenas fazer um reparo. Por que raio é que as pessoas teimam em sentar-se sempre ao lado umas das outras quando há vários metros quadrados de espaço livre?
Exemplo prático. Cenário: balneário do ginásio. Detalhes temporais: 15h. Estado emocional: benzinho.
Acabo de sair do ginásio e vejo, para minha felicidade, que não há ninguém no balneário. Tomo um banho calmamente. Visto-me sem grandes pressas e posso espalhar a roupa à vontade. Enquanto me dirijo para o balcão do secador, aparece uma senhora apressada. Dirige-se para onde estão as minhas coisas e num espaço com 40 cacifos vazios espalhados por uns bons metros quadrados, onde é que ela vai plantar as suas coisas? Pois bem, junto das minhas, com apenas um cacifo de intervalo. Porquê? Teria frio? Quereria mostrar-me o seu fio dental? Ou melhor, ver a minha roupa transpirada dentro do saco da ginástica? Acharia que ali, onde está o único ser humano do balneário, é o melhor sítio? É um fenómeno que não entendo. Juro que não entendo. Tentei esconder a minha cara de mau feitio. Mas tinha mesmo vontade de conversar com a senhora e tentar descortinar a razão deste fenómeno tão humano. Fica para a próxima.
Exemplo prático. Cenário: balneário do ginásio. Detalhes temporais: 15h. Estado emocional: benzinho.
Acabo de sair do ginásio e vejo, para minha felicidade, que não há ninguém no balneário. Tomo um banho calmamente. Visto-me sem grandes pressas e posso espalhar a roupa à vontade. Enquanto me dirijo para o balcão do secador, aparece uma senhora apressada. Dirige-se para onde estão as minhas coisas e num espaço com 40 cacifos vazios espalhados por uns bons metros quadrados, onde é que ela vai plantar as suas coisas? Pois bem, junto das minhas, com apenas um cacifo de intervalo. Porquê? Teria frio? Quereria mostrar-me o seu fio dental? Ou melhor, ver a minha roupa transpirada dentro do saco da ginástica? Acharia que ali, onde está o único ser humano do balneário, é o melhor sítio? É um fenómeno que não entendo. Juro que não entendo. Tentei esconder a minha cara de mau feitio. Mas tinha mesmo vontade de conversar com a senhora e tentar descortinar a razão deste fenómeno tão humano. Fica para a próxima.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Vargas Llosa
Não gosto do final dos livros. Porquê? Muito simples, não quero que acabem. As últimas páginas são as que demoram mais tempo. Não gosto de acabar um livro assim por acaso. Tem de ser num momento especial, sem distracções. Uma coisa solene. Se chego ao fim de um livro é porque estou a gostar. Se a meio me farto, desisto. Há tanta coisa boa para ler que procuro melhor.
Hoje acabei o livro "Travessuras da Menina Má", de Mario Vargas Llosa. Gostei bastante. Não sei se aquilo é amor verdadeiro, obsessão, vício, oportunismo. É um pouco de tudo. Mas quem pode, realmente, criticar a dedicação de uma vida a outro ser humano. Mais não digo. Quem leu sabe do que estou a falar. Quem não o conhece, aconselho vivamente que o faça. Quero deixar aqui o final do livro que resume tudo muito bem. Spoiler alert! Quem não quer saber como acaba, pode fechar a página agora.
"Uma tarde, sentados no jardim, à hora do crepúsculo, disse-me que, se algum dia me lembrasse de escrever a nossa história de amor, não a fizesse ficar muito mal porque, nessa altura, o seu fantasma viria todas as noites puxar-me pelos pés.
- E porque é que te lembraste disso?
- Porque sempre quiseste ser escritor e não te atrevias. Agora que vais ficar sozinho, podes aproveitar; assim não terás tantas saudades minhas. Pelo menos, confessa que te dei assunto para um romance. Não foi, menino bom?"
Hoje acabei o livro "Travessuras da Menina Má", de Mario Vargas Llosa. Gostei bastante. Não sei se aquilo é amor verdadeiro, obsessão, vício, oportunismo. É um pouco de tudo. Mas quem pode, realmente, criticar a dedicação de uma vida a outro ser humano. Mais não digo. Quem leu sabe do que estou a falar. Quem não o conhece, aconselho vivamente que o faça. Quero deixar aqui o final do livro que resume tudo muito bem. Spoiler alert! Quem não quer saber como acaba, pode fechar a página agora.
"Uma tarde, sentados no jardim, à hora do crepúsculo, disse-me que, se algum dia me lembrasse de escrever a nossa história de amor, não a fizesse ficar muito mal porque, nessa altura, o seu fantasma viria todas as noites puxar-me pelos pés.
- E porque é que te lembraste disso?
- Porque sempre quiseste ser escritor e não te atrevias. Agora que vais ficar sozinho, podes aproveitar; assim não terás tantas saudades minhas. Pelo menos, confessa que te dei assunto para um romance. Não foi, menino bom?"
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