Gostar de ficar em casa e não ter vontade de sair. Enfrentar sem medos filas intermináveis e ter dúvidas existenciais sobre qual é a melhor cor que fica bem com o tom de pele de alguém.
O Natal é papar anúncios dos Ferrero Rocher e gostar. É sentir o cheiro dos sonhos no óleo, os restos de massa espalhados pela bancada da cozinha e ver crianças a tentarem roubar doces o mais que puderem.
É comer chocolates sem receios e ter orgulho nisso. Fazer a árvore de Natal e guardar os presentes em sacos enormes para levar para a casa da festa.
Natal é ficar feliz por abrir presentes. Ficar ainda mais feliz por ver os outros a abrirem os presentes que nós comprámos. É não ter peso na consciência por rasgar dezenas de papéis de embrulho. Dormir a pensar: "O que será que está dentro daquela caixa?". Ser acordada por uma criança aos pulos em cima da cama a gritar: "Vamos, vamos". Ter sono e não ser assim tão mau. Reencontrar pessoas, sorrir-lhes e elas sorrirem de volta. Estar feliz porque está toda a gente feliz. Saber que já passou, já acabou e que só se repete uma vez por ano.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Odeio frio

Hoje só tenho isto para dizer ao mundo: odeio frio. Acho que toda a gente odeia. Até os que dizem que não. A verdade é que o frio só tem piada quando estamos agasalhados, cheios de cachecóis, luvas e sentimos um ligeiro friozinho na ponta do nariz. Pronto. É o suficiente para percebermos que estamos no Inverno: "Ai que giro. Gosto tanto das manhãs de Sol no Inverno." Acabou. Além disto, não é possível gostar. Honestamente ninguém gosta de ter os pés gelados, as mãos frias, sentir que o vento lhe entra pela espinha adentro e a garganta começa a picar... Pior que tudo são as casas fechadas no Inverno. O frio torna-se visível. E para terminar, uma imagem do demónio: cama com lençóis tão frios, tão frios, que chegam a estar húmidos. Grrrrr
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Colaborador ou trabalhador
Irrita-me profundamente a moda do século XXI de chamar aos trabalhadores colaboradores. Parece que têm medo dos fantasmas. "Ai, não. Eu cá não sou trabalhador, sou colaborador desta empresa. Não há hierarquias, não trabalho para ninguém, colaboro. Quando não me apetece, não vou trabalhar."
Imbuída deste espírito de revolta e com a noção quase religiosa de que um colaborador é alguém que não tem um vínculo directo com a empresa, apenas colabora de vez em quando, descobri que o dicionário acha que estou errada. Pois bem, diz que um colaborador é:
"1. Pessoa que trabalha com outra em iguais circunstâncias de iniciativa.
2. Pessoa que escreve para uma publicação periódica, sem fazer parte da redação. 3. Que colabora. = colaborante" Isto segundo o Priberam.
Já a palavra trabalhador é:
"1. Que gosta de trabalhar; laborioso. 2. Pessoa que trabalha. 3. Jornaleiro. 4. Aquele que trabalha de enxada."
Esclarecida? Nem por isso. Só sei que trabalho sem enxada. Mas trabalho.
Imbuída deste espírito de revolta e com a noção quase religiosa de que um colaborador é alguém que não tem um vínculo directo com a empresa, apenas colabora de vez em quando, descobri que o dicionário acha que estou errada. Pois bem, diz que um colaborador é:
"1. Pessoa que trabalha com outra em iguais circunstâncias de iniciativa.
2. Pessoa que escreve para uma publicação periódica, sem fazer parte da redação. 3. Que colabora. = colaborante" Isto segundo o Priberam.
Já a palavra trabalhador é:
"1. Que gosta de trabalhar; laborioso. 2. Pessoa que trabalha. 3. Jornaleiro. 4. Aquele que trabalha de enxada."
Esclarecida? Nem por isso. Só sei que trabalho sem enxada. Mas trabalho.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Bem-vindo ao mundo encantado dos...
... brinquedos, acessórios, quinquilharias, coisas e mais coisas chinesas. Por ano, entro meia dúzia de vezes no chinês. Não por preconceito, simplesmente porque não tenho nenhuma loja perto do trabalho. Invariavelmente no Natal entro e perco-me nos corredores a descobrir coisas que nem sabia que existiam e eram comercializadas. Não é para despachar os familiares todos a eito, mas para preencher as quotas dos jantares de Natal de amigos. Adoro quando tenho como prova olímpica oferecer um presente de dois euros.
Primeira reacção: “O que é que se pode comprar com dois euros?” Nada. Claro. Batatas, iogurtes, peitos de frango, cereais e coisas assim. Ah, mas no Chinês há tanta coisa por onde escolher. Um mundo encantado. É certo, muitas delas não têm utilidade, mas compensam com a gargalhada de quem as recebe.
Com dois euros comprei duas caixas de plástico para fazer gelados de gelo, um jogo com uma espécie de raquetas e uma chávena de café. Mas há mais pelo mesmo valor. Uma campainha tipo repartição pública, os bibelôs mais pirosos da história, vassouras com bonecos e flores. Entra-se numa espiral vertiginosa de descoberta. Qual criança perdida no Toys'r'us a puxar à saia à mãe, ou melhor, a pôr tudo no carrinho: "Preciso mesmo deste estojo em forma de boneco. A prima afastada da Barbie é que vinha a calhar ou o peluche do Buzz com 50 cm."
A descoberta deste ano é a marca Wu, uma Wii sem o peso da multinacional Nintendo. Só vi comandos da Wu, mas presumo que existam jogos e outros acessórios. Que coisa mais linda esta da globalização, dos preços baixos e da falsificação em barda de tudo o que existe neste mundo. Não?
Bem, se nos pusermos a pensar como é que eu consegui ter tantas coisas por tão pouco dinheiro, tendo em conta que atravessaram o planeta para aqui chegar, é que é mais chato. A porra da globalização tem destas coisas.
Primeira reacção: “O que é que se pode comprar com dois euros?” Nada. Claro. Batatas, iogurtes, peitos de frango, cereais e coisas assim. Ah, mas no Chinês há tanta coisa por onde escolher. Um mundo encantado. É certo, muitas delas não têm utilidade, mas compensam com a gargalhada de quem as recebe.
Com dois euros comprei duas caixas de plástico para fazer gelados de gelo, um jogo com uma espécie de raquetas e uma chávena de café. Mas há mais pelo mesmo valor. Uma campainha tipo repartição pública, os bibelôs mais pirosos da história, vassouras com bonecos e flores. Entra-se numa espiral vertiginosa de descoberta. Qual criança perdida no Toys'r'us a puxar à saia à mãe, ou melhor, a pôr tudo no carrinho: "Preciso mesmo deste estojo em forma de boneco. A prima afastada da Barbie é que vinha a calhar ou o peluche do Buzz com 50 cm."
A descoberta deste ano é a marca Wu, uma Wii sem o peso da multinacional Nintendo. Só vi comandos da Wu, mas presumo que existam jogos e outros acessórios. Que coisa mais linda esta da globalização, dos preços baixos e da falsificação em barda de tudo o que existe neste mundo. Não?
Bem, se nos pusermos a pensar como é que eu consegui ter tantas coisas por tão pouco dinheiro, tendo em conta que atravessaram o planeta para aqui chegar, é que é mais chato. A porra da globalização tem destas coisas.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Ciência ao serviço do entretenimento
Quem é que nunca quis aprender um truque de magia? Richard Wiseman é psicólogo, professor na Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e mágico nos tempos livres. Mas um mágico que não se arma com aquelas coisas do inexplicável e tal. Este sr. faz-nos o favor de pôr a ciência ao serviço do entretenimento. Para saber mais, basta ir ao blogue http://richardwiseman.wordpress.com/ ou ver o vídeo.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Pensamentos soltos num feriado com chuva
Quando não apetece trabalhar ficamos com vontade de fazer quase tudo que não seja trabalhar. Até limpar o pó nos parece uma actividade bem divertida. Hoje vou apontar para a estratosfera e pôr em página tudo o que me apeteceria fazer e não posso:
- comer um crepe com cinco bolas de gelado e muito chocolate quente
- cheirar o mar e meter os pés na areia seca e quentinha
- subir a uma montanha numa tarde de sol
- andar de cavalo
- ver uma série de televisão do princípio ao fim, até sentir as lentes de contacto a secarem e estarem prestes a saltar dos meus olhos
- aprender a fazer tricô
- acabar o livro que estou a ler
- comer muitos chocolates
- passear no baixa numa tarde de sol
- comer tapas
- dormir uma sesta
- comer um crepe com cinco bolas de gelado e muito chocolate quente
- cheirar o mar e meter os pés na areia seca e quentinha
- subir a uma montanha numa tarde de sol
- andar de cavalo
- ver uma série de televisão do princípio ao fim, até sentir as lentes de contacto a secarem e estarem prestes a saltar dos meus olhos
- aprender a fazer tricô
- acabar o livro que estou a ler
- comer muitos chocolates
- passear no baixa numa tarde de sol
- comer tapas
- dormir uma sesta
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
De blindados e armaduras
Quando pego no carro para regressar a casa e vejo as filas de luzes vermelhas (as traseira dos carros) com chuva a fazer-nos companhia e o céu negro, só penso numa coisa: bem-vindos ao cenário da guerra urbana. É ver cada um de nós armado com o seu blindado, a tentar furar a confusão e a chegar primeiro. Carregamos quilos em cima, as sobrancelhas frazem-se, a paciência falta-nos e o desespero chega. Olhamos para o lado e rendemo-nos às evidências. Não, não vale a pena mudar de faixa para aquela que nos parece incrivelmente rápida. É uma ilusão de óptica. Mesmo assim, tentamos e logo percebemos que o que ia atrás de nós já nos ultrapassou. Mais vale respirar fundo, aguentar os sinais de luzes dos apressados, os que se metem à campeão e não acharmos que somos invencíveis dentro do blindado da Renault, da Volkswagen ou da Opel.
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