... brinquedos, acessórios, quinquilharias, coisas e mais coisas chinesas. Por ano, entro meia dúzia de vezes no chinês. Não por preconceito, simplesmente porque não tenho nenhuma loja perto do trabalho. Invariavelmente no Natal entro e perco-me nos corredores a descobrir coisas que nem sabia que existiam e eram comercializadas. Não é para despachar os familiares todos a eito, mas para preencher as quotas dos jantares de Natal de amigos. Adoro quando tenho como prova olímpica oferecer um presente de dois euros. Primeira reacção: “O que é que se pode comprar com dois euros?” Nada. Claro. Batatas, iogurtes, peitos de frango, cereais e coisas assim. Ah, mas no Chinês há tanta coisa por onde escolher. Um mundo encantado. É certo, muitas delas não têm utilidade, mas compensam com a gargalhada de quem as recebe. Com dois euros comprei duas caixas de plástico para fazer gelados de gelo, um jogo com uma espécie de raquetas e uma chávena de café. Mas há mais pelo mesmo valor. Uma campainha tipo repartição pública, os bibelôs mais pirosos da história, vassouras com bonecos e flores. Entra-se numa espiral vertiginosa de descoberta. Qual criança perdida no Toys'r'us a puxar à saia à mãe, ou melhor, a pôr tudo no carrinho: "Preciso mesmo deste estojo em forma de boneco. A prima afastada da Barbie é que vinha a calhar ou o peluche do Buzz com 50 cm." A descoberta deste ano é a marca Wu, uma Wii sem o peso da multinacional Nintendo. Só vi comandos da Wu, mas presumo que existam jogos e outros acessórios. Que coisa mais linda esta da globalização, dos preços baixos e da falsificação em barda de tudo o que existe neste mundo. Não? Bem, se nos pusermos a pensar como é que eu consegui ter tantas coisas por tão pouco dinheiro, tendo em conta que atravessaram o planeta para aqui chegar, é que é mais chato. A porra da globalização tem destas coisas.
Quem é que nunca quis aprender um truque de magia? Richard Wiseman é psicólogo, professor na Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e mágico nos tempos livres. Mas um mágico que não se arma com aquelas coisas do inexplicável e tal. Este sr. faz-nos o favor de pôr a ciência ao serviço do entretenimento. Para saber mais, basta ir ao blogue http://richardwiseman.wordpress.com/ ou ver o vídeo.
Quando não apetece trabalhar ficamos com vontade de fazer quase tudo que não seja trabalhar. Até limpar o pó nos parece uma actividade bem divertida. Hoje vou apontar para a estratosfera e pôr em página tudo o que me apeteceria fazer e não posso:
- comer um crepe com cinco bolas de gelado e muito chocolate quente - cheirar o mar e meter os pés na areia seca e quentinha - subir a uma montanha numa tarde de sol - andar de cavalo - ver uma série de televisão do princípio ao fim, até sentir as lentes de contacto a secarem e estarem prestes a saltar dos meus olhos - aprender a fazer tricô - acabar o livro que estou a ler - comer muitos chocolates - passear no baixa numa tarde de sol - comer tapas - dormir uma sesta
Quando pego no carro para regressar a casa e vejo as filas de luzes vermelhas (as traseira dos carros) com chuva a fazer-nos companhia e o céu negro, só penso numa coisa: bem-vindos ao cenário da guerra urbana. É ver cada um de nós armado com o seu blindado, a tentar furar a confusão e a chegar primeiro. Carregamos quilos em cima, as sobrancelhas frazem-se, a paciência falta-nos e o desespero chega. Olhamos para o lado e rendemo-nos às evidências. Não, não vale a pena mudar de faixa para aquela que nos parece incrivelmente rápida. É uma ilusão de óptica. Mesmo assim, tentamos e logo percebemos que o que ia atrás de nós já nos ultrapassou. Mais vale respirar fundo, aguentar os sinais de luzes dos apressados, os que se metem à campeão e não acharmos que somos invencíveis dentro do blindado da Renault, da Volkswagen ou da Opel.
Pergunto-me sinceramente quem teve a bela ideia de espetar uma câmara de filmar no peito da Barbie, ligeiramente acima das maminhas. "Ui, que brincadeira tão gira. A Barbie filma o Ken e companhia e projeta o filme nas costas." Se há boneca no mundo que consegue ter uma máquina dentro do corpo e continuar a parecer sexy e gira é a Barbie. Ainda assim acho um bocadinho exagerado transformar a boneca numa espécie de exterminadora implacável. Desnecessário, diria até. Era preferível dar-lhe uma míni câmara que funcionasse em vez de a transformar num ser estranho, tipo ET. Gostava de saber como é que a Barbie justifica a câmara dentro do corpo quando está a brincar? "Olá Ken. Sorri aqui para o meu peito. Estou a filmar-te." Não resulta. "Olha, no Natal recebi uma câmara que se incorpora no meu peito?" Para tornar a última mutação da Barbie ainda mais polémica, o FBI entra no terreno. Ao que parece, a Barbie com câmara de vídeo pode ser utilizada para fins menos próprios, como filmar os miúdos sem roupas... Muito, muito creepyyy... Pelo sim, pelo não, é melhor manter uma distância de segurança desta boneca.
Já confessei ao mundo a minha escassa ou nenhuma experiência com animais. Agora que estou finalmente a preencher essa lacuna na minha vida, deparo-me com outra questão: a manutenção. Não falo da comida, do xixi e do cocó, nem do colo e dos abraços e beijinhos, do sofá estragado, dos phones assassinados, falo das doenças. Uma das minhas gatas ficou com coriza (uma espécie de conjuntivite felina), fomos ao veterinário e como receita médica medicamentos e gotas... Ora imagine-se pôr gotas a gatos. São um bicho que adoro mas convenhamos que agarrar num gato, abrir-lhe o olho e espetar-lhe uma gota não é tarefa fácil. Ah! Mas há melhor. Não é uma gota em cada olho, são duas. Da primeira vez, o bicho achou estranho. Até o conseguimos enganar para a primeira ou segunda gota. Agora e as outras? Fui a debutante na tarefa que logo passei ao outro dono. Muito mais dotado do que eu para estas coisas de agarrar um gato pela parte de trás do pescoço e mantê-lo imóvel. Agora a piece de resistance: O raio da porcaria da coriza já passou, segundo diz o médico que visitei hoje, mas a gata continua com lágrimas. Depois de muitas análises, parece estar tudo bem. Mas pelo sim, pelo não, mais umas quantas gotas. A outra gata que estava óptima para destruir tapetes, começou esta semana com uma pele branca nos olhos. Achei aquilo estranhíssimo. Afinal, diz que é uma terceira pálpebra, coisa comum e tal. Pois bem, vai levar gotas também. Numa espécie de: "já que aqui estamos vai tudo a eito". Resultado da minha segunda ida ao veterinário: nada de comprimidos que elas comem como se fosse um doce e como presente de Natal: 8 gotas em cada gata! Sou péssima a fazer contas, mas óptima a medir os níveis de stress cá de casa. RRRRRrrrr. As bichanas tentam de tudo para nos escapar. Já era complicado dar quatro gotas numa. Agora são oito em cada gata!!! É vê-las a espernear, tremelicar o olhar e fazer carinha de condenado à pena de morte. Uma pessoa tem de se aguentar estoicamente e cruzar os dedos para que não passem a odiar os donos que tanto mimo lhes dão e que de um dia para o outro, vá-se lá saber porquê, passaram a ter rituais veterinários de péssimo gosto.
Ontem estava tudo em polvorosa à espera que a NASA dissesse: "sim, encontramos a família do ET". Na realidade, saíram-se com uma explicação científica elaborada cuja conclusão é: "quase de certezinha que há vida ET". Bem, mas não estou para aqui a escrever sobre descobertas científicas mas sim sobre uma pérola que me mostraram outro dia. A música "Sr. Extraterrestre", letra de Carlos Paião, interpretação a cargo da sô dona Amália. A letra é deliciosa e cheia de pontos interessantes: 1º - Amália consegue comunicar com ETs e eles entendem português 2º - O ET foi apanhado pela polícia sem carta de condução 3º - O ET sabe o que são sardinhas e bacalhau (coisa que infelizmente não há lá na terra dele) 4º - O Sr. extraterrestre tem uma carteira (conceito bastante comum no mundo dos aliens pois tem de andar com notas, cartões e essas coisas). E o que é que não podia faltar na carteira? A fotografia do filho que por sinal é verdinho como o pai 5º - O OVNI tem chaves. Claro, como é óbvio. Uma nave espacial tem de ter ignição tipo carro 6º - O ET come sandes durante a viagem e abre a janela enquanto conduz. Uma coisa chata não ter oxigénio enquanto se viaja. Oxigénio? Ai, espera. Este ET respira o quê? Isso não interessa. O melhor disto tudo é que o SR. ET viaja de vidro sem ser sugado para o espaço 7º - ET que é ET, pelo menos os que dão à costa portuguesa, bebem vinho tinto
Aqui fica para apreciação, juntamente com o vídeo. É maravilhoso.
"Vou contar-vos uma história que não me sai da memória, foi para mim uma vitória nesta era espacial. Noutro dia estremeci quando abri a porta e vi um grandessíssimo ovni pousado no meu quintal.
Fui logo bater à porta, veio uma figura torta, eu disse: se não se importa poderia ir-se embora, tenho esta roupa a secar e ainda se vai sujar se essa coisa aí ficar a deitar fumo para fora.
E o senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado, quis falar mas disse pi, estava mal sintonizado. Mexeu lá o botãozinho e pôde contar-me então que tinha sido multado por o terem apanhado sem carta de condução.
O senhor desculpe lá, não quero passar por má, pois você onde está não me adianta nem me atrasa. O pior é que a vizinha que parece que adivinha quando vir que estou sozinha com um estranho em minha casa.
Mas já que está aí de pé venha tomar um café, faz-me pena, pois você nem tem cara de ser mau e eu queria saber também se na terra donde vem não conhece lá ninguém que me arranje bacalhau.
E o senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado, quis falar mas disse pi, estava mal sintonizado. Mexeu lá no botãozinho, disse para me pôr a pau, pois na terra donde vinha nem há cheiro de sardinha quanto mais de bacalhau.
Conte agora novidades: É casado? Tem saudades? Já tem filhos? De que idades? Só um? A quem é que sai? Tem retratos com certeza, mostre lá? Ai que riqueza, não é mesmo uma beleza, tão verdinho? sai ao pai.
Já está de chaves na mão? Vai voltar para o avião? Espere, que já ali estão umas sandes para viagem e vista também aquela camisinha de flanela para quando abrir a janela não se constipar com a aragem.
E o senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado, quis falar mas disse pi, estava mal sintonizado. Mexeu lá no botãozinho e pôde-me então dizer que quer que eu vá visitá-lo, que acha graça quando eu falo ou ao menos para escrever.
E o senhor extraterrestre viu-se um pouco atrapalhado, quis falar mas disse pi, estava mal sintonizado. Mexeu lá no botãozinho só para dizer: Deus lhe pague. Eu dei-lhe um copo de vinho e lá foi no seu caminho que era um pouco em ziguezague."