segunda-feira, 25 de outubro de 2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A mania de ser feliz

Conversávamos sobre a vida e sobre o começar de novo. Perguntava-lhe por que não foi actor mais cedo? Porquê só aos 68 anos, quando chegou à reforma? A justificação era simples: "Tinha mulher e filhos." Franzia o sobrolho enquanto o dizia, como se lhe tivesse falado de uma proposta louca. Além dos filhos e da mulher, tinha contas para pagar. Claro. Nunca lhe passou pela cabeça atirar tudo ao ar e seguir um sonho. "O meu filho agora quer ser actor. Estou muito preocupado. É tudo tão instável. Vocês agora é que têm a mania de serem felizes", disse enquanto gesticulava e atirava a mão na minha direcção em sinal de desdém. Mania de ser feliz... Parecia que falava de um luxo, como a mania de ter coisas da Apple ou de conduzir carros novos. Naquele tempo não se pensava em ser fotógrafo ou actor para se ser feliz. Pensava-se numa profissão e no dinheiro que ela dava. O ser feliz era um brinde. Uma extra. Não uma motivação.
Ao falar com outra colega dele, uma velhinha também ela recém-actriz, ela dizia-me: "Sabe, fui convidada pela Amélia Rey Colaço para fazer parte da companhia dela, mas o meu marido pediu-me para não ir. Como ele tinha sido tão bom para mim, não fui." Outro conceito novo. Como ele até fez o favor de ser bom para ela, ela não foi. Ficou. Recusou um sonho, perfeitamente compatível com uma vida a dois. Mas ele tinha sido tão bom...
Gerações diferentes ou planetas diferentes dos nossos?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cérebro por uma palhinha

Acordar cedo e trabalhar várias horas seguidas normalmente resulta numa pouca vontade de manter a atenção, já aqui o disse. Depois de fazer uma reportagem e estar atenta a tudo o que se diz e faz, preciso de parar para respirar. De pedir um intervalo. Mas nem sempre dá. Aguenta-se a fome e a vontade de ir à casa de banho. Inicia-se uma conversa e a adrenalina do trabalho faz-nos esquecer tudo. Mesmo assim, não deixo de ter momentos em que sinto que me estão a sugar o cérebro com uma palhinha. Isso aconteceu-me hoje. Fiquei a olhar para a pessoa e esqueci, por segundos, o que dizia. Comecei então a imaginar que aquele incómodo na cabeça era o sr. a sugar-me os neurónios (que para mim são cor-de-rosa) com uma palhinha às riscas. Fazia-o devagarinho enquanto dizia coisas sem muito interesse.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Uma semana


O que se pode dizer de uma semana com pesadelos e cansaço? O pesadelo foi daqueles em que se acorda com um salto quase em pânico. Tudo porque acreditei que tinha assassinado uma pessoa acidentalmente. Coisa banal. Dei-lhe com um frasco de mel na cabeça e escondi o corpo numa caixa. O meu grande problema era que os pais descobrissem. Ora bolas! Tinha um peso na consciência enorme e uma angústia... Acordei mesmo aflita. A juntar ao pesadelo, esta semana o cansaço é tanto que ao fim do dia nem consigo conversar. A sério. Tento, mas não me consigo concentrar no que os outros dizem. Fico a olhar para o infinito e com uma dor de cabeça. Tal e qual o Kilie do "Fantástico Mr. Fox". Férias precisam-se!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Por que razão a República é uma mulher e tem uma mama de fora?


Fizeram-me essa pergunta há pouco tempo: por que raio a República é uma mulher desnuda? Lembrei-me logo de que a culpa era dos franceses e do quadro do Delacroix. As minhas justificações eram: mulher, porque a palavra república é feminina; mama de fora, porque é a liberdade. Uma mulher sem soutiens, corpetes e outros tecidos e atilhos. Pois bem, acho que basicamente era isso. Depois, surgiu outra ideia. Qual é a melhor maneira de motivar as massas? Não é preciso responder. Mas fiquemo-nos com a explicação romântica. O quadro "A Liberdade Guiando o Povo", de 1830, é inspirador, poético e sonhador. Assim como as ideias de liberdade e república.

Telemóveis, "mor" e o fim do Verão

É uma daquelas manhãs que fazem adivinhar que o Verão não vai voltar, por mais que o desejemos. Começou a chover, mas ainda há sol. A temperatura ronda os vinte graus, mas há um vento frio que aparece de vez em quando. Ainda estamos em Setembro e o Verão está perto o suficiente para pensarmos que podemos andar de sandálias e vestidos. Caminho para o carro, quando sou surpreendida por uma mulher que me chama: "Menina, menina! Pode ajudar-me." Olho para ela e vejo uma mulher de vestido de alcinhas cor-de-rosa às flores, com umas sandálias a condizer. Não tem sequer um casaquinho. Acho que lhe falta um dente e leva uma espécie de apanhado no cabelo. Paro para perceber como é que a posso ajudar. Ela estica-me um telemóvel cor-de-rosa e diz: "Não sei ler mensagens, pode ler? É uma mensagem que diz mor." Respondo que sim e receio o pior. Qui ça uma descrição escabrosa de amor ou sexo. Fico com vontade de rir, mas vamos a isto. Afinal, é uma mensagem banal do tal mor. "Não posso ligar amanhã ligo beijocas" Não havia vírgulas, nem pontuação. Repito em voz alta e a senhora agradece. Desde da noite passada que aquela mulher ficou sem perceber o que o "mor" queria. Uma carta de amor sem resposta. A mulher devia ter uns 40 anos. Fiquei com pena. Com Pena por vê-la a andar de vestido de alças num dia frio e com chuva. Com pena por ela não perceber nada de tecnologia e de provavelmente ter ficado uma noite inteira a imaginar que raio o "mor" teria respondido aos insistentes telefonemas dela. Com pena de ter sido eu, uma estranha, a ler-lhe a mensagem secreta do "mor" que não lhe ligou naquele dia e que só ligava no dia seguinte. Sabe-se lá porque razão. E com pena de já não ser Verão.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Descobrir um nicho de mercado ou como na Costa Rica até os crocodilos são pacíficos




Como tudo começou não sei. Sei apenas que este senhor tem a solução para os problemas económicos dos portugueses: descobrir um nicho de mercado. Quem é que pode tomar banho com um crocodilo e pegá-lo ao colo sem ser comido? Só o nosso amigo Chito. Diz que há 20 anos que os turistas vão lá para vê-lo. À conta desta amizade estranha Chito nunca mais teve de trabalhar. Vou ver se encontro um animal estranho para mim. :) No estado em que se encontra a Tugolândia, temos de nos virar para nichos e bichos.