sexta-feira, 9 de julho de 2010

Treinar a imaginação

À conversa com um escritor argentino redescobri a imaginação. Agora encaro-a como um músculo, mais resistente que os meus, é certo, e bem tonificado. Ele dizia-me: "A imaginação treina-se. Quem é que tem mais imaginação? As crianças. Porquê? Porque passam os dias a brincar, a inventar e a imaginar. Ou seja, a treiná-la. Quando nos tornamos adultos isso pára." Aqui está uma ideia simples para aplicar no fim-de-semana: imaginar. Contrair o avanço da idade, porque não há melhor remédio para a vida do que imaginar reinos fantásticos, aventuras e histórias. Vamos então a isso.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

É só um vestido senhores!

Um vestido pode parecer uma coisa simples. É uma peça de roupa ideal para um Verão de 30 e tal graus. Vim a descobrir que não é bem assim. Pelo menos, não é assim com todos os vestidos. Começo por explicar que os meus vestidos não costumam ser curtos. Acho que só me apercebo do seu comprimento pela reacção dos outros. Hoje foi um desses dias. Logo de manhã, vi os pescoços das senhoras a contorcerem-se para olhar para mim de soslaio. O pensamento devia ser: "Quem é que esta pensa que é?". Eram umas intelectuais do mundo jornaleiro a que pertenço que adoram calças, blusas compridas e coisas indie e alternativas. Na realidade, elas estão convencidas que a inteligência dos outros se mede pelo aspecto. E ao que parecer ser sexy é sinónimo de falta de intelecto. Se essa reacção me irritou, a dos homens não foi melhor. Lanço a questão: por que raio é que acham que têm o direito de olhar para uma pessoa como se ela estivesse sem roupa ou como se fosse a última coca-cola do deserto? Podem olhar, já que isto se trata de uma democracia, mas disfarcem. É o mínimo. Não estou para aqui armada em convencida. Queria apenas usar o meu vestido sem me sentir observada e sem estar sempre a pensar: "Está rasgado?", "Sujei-me?". Catano, é só um vestido curto, um bocadinho acima do joelho. Não é um escândalo. É um vestido. Está calor! É normal! E como dizia uma amiga: "menos! muito menos!"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Hospitalidade no cimo do monte

Não é uma história nova, mas precisa de ser contada. Depois de fazer uma caminhada nocturna numa serra deste país, vim a descobrir que o passeio incluía uma emoção extra. No fim de um percurso de quase cinco horas, eis se não quando o guia se vira para nós e nos avisa que vamos entrar numa propriedade privada. Como se não bastasse, até nos cruzarmos com os donos e começarmos a interagir, tínhamos de subir um monte enorme. Para aí uns dez minutos em propriedade alheia, uma espécie de alvo em movimento. Quando chegámos ao cimo do monte somos recebidos com copos de vinho, bolo de noz e talhadas de melão. Não há nada como a hospitalidade tuga! É certo que os donos do terreno estavam a dar uma festa de aniversário e àquela hora só as crianças não estavam com os copos. Mas adiante. Foi um momento bonito. Depois de uma caminhada, um copo de vinho verde e uma fatia de bolo é a melhor recompensa de sempre. Um grande obrigado ao sr. Vitoriano! :)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A sabedoria de Homer Simpson

Homer Simpson não é apenas um pai de família, que gosta de cerveja e devora televisão, é também um filósofo. Outro dia vi o episódio em que Flanders se passa da marmita e tem um ataque de raiva (anos de repressão interna e mania que é bonzinho. Mas na realidade a culpa é dos pais freaks hippies que não lhe impunham regras e que o meteram no psiquiatra onde Flanders descobriu as regras da religião). Flanders está internado e Homer tem esta tirada brilhante:
"Tens medo de ser humano, porque os humanos fazem coisas nojentas, porcas e são capazes de odiar. Odeiam nem que seja uma picada de mosquito." Ora aí está um belo pensamento. Sofro um bocado com a ideia de que não devo odiar coisas, dizer mal e afins. É claro que em doses moderadas o belo do ódio, do não gostar, não faz mal. Aliás, não gostar é tão importante como gostar. É aquilo que nos define. Aqui vai a minha lista de ódios de estimação:
- pombos (bicho estúpido, cheio de doenças, piolhos e faz voos rasantes à cabeça das pessoas)
- chuva e céu nublado (deprimente)
- vento forte (chateia ponto)
- frio (desagradável)
- engarrafamentos (stress, stress, stress)
- não ficar bronzeada logo no primeiro dia que vou à praia (irritante)
- condutores que não fazem pisca e andam na faixa da esquerda a 2 à hora (RRRRRRrrrrrr)
- condutores que me roubam o lugar de estacionamento (pena capital)
- condutores que travam assim que cai o amarelo e eu fico presa no semáforo (cá burros!)
- multas da emel (não merecem nada)
- comida sem sal (seca)
- cheiro de legumes cozidos (nojo)
- pessoas que se esticam à grande, que se impõe na vida dos outros e não tem noção (que nervos!)
- pessoas que se armam em vítimas (não há paciência)
- pessoas convencidas que são as maiores do mundo (irritante)
- pessoas que são mal criadas e não dizem "bom dia" e "obrigado" (rrrrrr)

Há mais, mas fica para a próxima.





domingo, 27 de junho de 2010

Indignem-se! Ou então não.

Compromisso de honra: não ultrapassar um parágrafo para evitar irritações. Aqui vai a tentativa. Gosto daquelas pessoas que se indignam com tudo e têm sempre uma opinião negativa sobre o assunto mais consensual do mundo do tipo: "quando o sol brilha está um belo dia". Faz bem à massa cinzenta ser desafiada por opiniões contraditórias. No fundo, essas pessoas cumprem a sua função, quase como se fosse uma espécie de equilíbrio dos mundos (uma tanga fica sempre bem). Mas lanço o desafio: por que será que Vasco Pulido Valente se zanga com tudo? Parece não gostar de nada e indigna-se muito. A vítima de hoje no "Público" é o José Saramago. Não vou defender se era bom ou mau escritor, se era o melhor a seguir a Camões e a Pessoa, mas há um facto consensual: a importância do prémio Nobel. Vasco Pulido Valente discorda: "O prémio Nobel não garante a importância literária de ninguém. Basta ver a longa lista de mediocridades que o receberam." Mas há mais: "Que Saramago fosse o único escritor de língua portuguesa a receber essa mais do que duvidosa distinção não o acrescenta em nada, nem acrescenta nada à língua portuguesa." "Por mais que se diga, e até que se berre, Saramago não era uma glória nacional indiscutida e universalmente venerada."
Bolas! Não consegui ficar-me por apenas um parágrafo. Fiquei irritada com o que senhor escreveu e só me apetece dizer: "Raios partam! Vai passear, ser feliz e deixar de parecer ressabiado." (P.S.: como escrevi "só me apetece dizer", significa que não disse. Para evitar confusões. LOL)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pensamento do dia




Este ilustrador de Barcelona é para visitar todos os dias em http://stuffnoonetoldme.blogspot.com/ . Faz bem à saúde.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cigarros
















Faz mal, a maior parte das vezes sabe mal e não se pode ver na televisão nem no cinema. Quem adivinha? Vale um queijinho no trivial! (ok, pronto. Não vale.) Falamos de tabaco. Hoje em dia quando aparece alguém a fumar - em películas pós anos 90 - é garantidamente o vilão. Mas se há coisa que continua a ter um ar sensual são pessoas a fumar. Depende da pessoa, claro, e até da forma como fuma, é certo. Porém, o elenco de "Mad Men" e Bogart são óptimos exemplos. Não quero fazer uma apologia do tabagismo, longe disso, é apenas e somente uma constatação. A publicidade a cigarros acompanhava em justa medida o ar misterioso, glamouroso ou mesmo divertido do hábito humano de meter fumo para dentro da boca e soprar. Vá-se lá saber como é que isto começou. (Ainda tenho de investigar.) Mas aqui ficam exemplos de publicidade cómica e trágica a cigarros, ao mesmo tempo bem catita, e com um toque de glamour. (diziam que fazia bem, era bom para a garganta, os médicos adoravam e que era um belo presente.)